quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A carta que não li



Se eu pudesse recuperar das cinzas os meus três rostos desenhados,
Os teus planos arquitetados, os teus cinco poemas,
E que o vento vencesse os teus dilemas.
Para ver, ler: desenhos, sonhos, fonemas.
O meu amor pediu para Deus soprar,
E a sua raiva apagar,
Mas o vento só conseguiu com que o sentimento, 
não fosse queimado,
que eu continuasse a ser o seu amado.
Pena que as minhas lagrimas de arrependimento,
Não puderam voltar no tempo,
E apagar aquele momento,
Mas fizeram brotar das cinzas o teu perdão,
Pena que Tarde de mais,
E ao mesmo tempo, a tempo para que nada,
Mais seja posto na fogueira,
A não ser as nossas brigas, muitas delas por besteiras.
Perdeu-se em meio às chamas,
Até hoje ela me chama,
Foi extraviada, pela sua raiva.
Eu imagino os meus sorrisos,
a minha cara de felicidade.
A minha emoção ao ler A sua declaração de amor, 
Agora penso em sua dor, 
Ao ver cinzas virarem,
O que iria regar o nosso jardim,
Viraram adubo para as nossas flores.
Se pudesse queimaria as minhas mãos,
Ao invés da carta escrita pelas suas,
Mas como iria escrever e tocar,
E o nosso jardim cultivar.
Hoje não precisa de caneta, papel, correio e carteiro,
Pois são a prova de fogo,
De qualquer jogo,
Pois são escritas pelo nosso amor,
A melhor carta que alguém pode dar ou receber,
 Que leio todos os dias para você.

Leandro Medeiros santos
Leodiferente

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